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História de uma Primavera Texto: Fernando Magalhães - Fotos: Eduardo Campolina |
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bonsai de Primavera (Bouganvillea
glabra), nativa das regiões de mata atlântica no Brasil, constitui
uma parte interessante da história do meu aprendizado nessa maravilhosa
“Arte”. Essa planta é, sem dúvida, o símbolo da realização do meu
trabalho como bonsaista. Diariamente convivemos com o ir e vir das
plantas, novos trabalhos concluídos, e aquele momento de prazer ao fim de
um novo trabalho. Nesses momentos eu sempre olhava para ela em seu
cantinho no viveiro, às vezes meio esquecida, mas sempre lembrada com
carinho, principalmente pelo tempo que ela vem me acompanhando e pela
experiência que acumulei com os erros e acertos em seu treinamento. Apesar de não possuir um bom material histórico fotográfico, talvez até por não acreditar no potencial oculto na muda bruta e também pela minha inexperiência na época, tentarei, com alguns desenhos e fotos, colocar toda a evolução desse trabalho. |
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Encantado,
vislumbrei a possibilidade de trabalhar aquela muda, com mais ou menos 13
cm de base, boa forma e com potencial de se tornar um bonsai como aqueles
que eu tanto apreciava através da internet, tão longe, do outro lado do
mundo. Mesmo
sendo o preço completamente fora da minha realidade eu precisava ficar
com aquela planta. Assim, depois de discutir sobre o estado de saúde e a
qualidade do cultivo da Bouganvillea, acabei conseguindo um preço que,
embora ainda elevado para o meu orçamento da época, pois ainda vivia à
custa de mesada dada pelo meu pai para manter meus estudos, eu conseguia
pagar apesar de representar praticamente um mês inteiro de economias. Fui para casa feliz da vida como se fosse um campeão com seu troféu. |
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Início
do Trabalho Minha ansiedade era tamanha que, ao chegar em casa, fui logo querendo trabalhar a planta. Naquele momento deparei com um mundo de dúvidas e, principalmente, com falta de coragem. Não tinha nenhuma certeza de onde e como cortar, se a época do ano era adequada, ou seja, tomei consciência de minha inexperiência. Assim, acabei encostando a minha Bouganvillea em um cantinho de casa e passei os dois anos seguintes olhando-a e estudando, enquanto praticava e aprendia um pouco mais com os livros, sites e experiências próprias. |
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Naquele
outono ela estava novamente enorme, com galhos crescidos para todos os
lados que dava até gosto ver. Foi então realizada poda drástica para
dar inicio ao trabalho de aramagem e modelagem do bonsai. |
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O
Uro Depois de optar pela técnica, comecei a estudar e pesquisar quando seria a melhor época para começar a “ocar” o tronco. Muitos desenhos e horas olhando para planta transcorrem-se nos meses seguintes. No fim do inverno do mesmo ano (1996), período em que as plantas se encontram em dormência e com um fluxo muito baixo de seiva circulando, realizei o trabalho. Dessa forma corri menos risco de perda de seiva e morte de determinadas regiões, o que não era interessante para o trabalho final. A
opção pelo uro propriamente dito foi muito questionada, tanto por mim
mesmo quanto por outros amigos e bonsaistas, uma vez que havia muitas dúvidas
com relação à qualidade da madeira da Bouganvillea relacionada ao tempo
e apodrecimento. Iniciei pesquisas sobre a planta, tanto na literatura
como através da observação de algumas bouganvilleas nativas. Meu
objetivo era avaliar o desenvolvimento desse tipo de planta na natureza,
ou seja, verificar como se comportava sua madeira perante as intempéries
do nosso clima. Ressalta-se que as madeiras de Pinus e Juniperus são também
frágeis e de fácil apodrecimento que se preservam muito bem nos climas
temperados e árticos do hemisfério norte. Ao contrário do nosso clima
tropical úmido e quente que favorece o desenvolvimento de microorganismos
durante todo o ano. |
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Futuro Considerando
o bom desenvolvimento dos galhos e vigor da planta e que no projeto
original não existia o primeiro galho que vemos nas fotos, deixado com o
objetivo de ajudar a manter o veio na parte em que o uro entrou muito no
tronco, evitando assim enfraquecer aquele lado da planta, verificamos que
estamos nos aproximando de um novo ponto do trabalho para redefinição e
remodelagem da copa. Entretanto, mesmo conhecendo o projeto original e vendo a possibilidade de valorizar o Bonsai, colocando em evidência o uro juntamente com uma copa mais densa e desenvolvida, aumentando um pouco o seu tamanho, a decisão de modificá-la se tornou muito difícil. Afinal, foram quinze anos trabalhando e aprendendo muito com essa planta, o que torna esse galho parte marcante dela. |
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| A pergunta que não quer calar: nesse momento é assim tão importante perseguir o projeto original? | |||
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Essa
é a história de uma bela Bouganvillea que estava praticamente morta em um
viveiro de mudas e se tornou uma grande realidade graças ao meu trabalho
com todo o meu amor por ela. A história dessa plantinha se confunde com a
minha história na busca do conhecimento e prática na arte bonsai. Esse é um trabalho que requer tempo e aprendizado, desenvolvimento e aperfeiçoamento. O caminho do bonsai é árduo e longo, muito chão têm que ser percorrido, e não há forma melhor do que acompanhado de grandes amigos. Somente dessa forma essa árvore terá melhores garantias de seu futuro e evolução, sempre buscando mudanças favoráveis ao seu desenvolvimento. |
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![]() Imagem virtual mostrando o aspecto final após as modificações propostas |
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Visite o website de Fernando Magalhães no endereço: www.bonsaimorrovelho.com.br |
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