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Estética
e Avaliação do Suiseki
Felix Rivera
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Suiseki
são pedras de tamanho pequeno a médio, que foram moldadas
naturalmente em formas esteticamente agradáveis. Muitos suiseki
sugerem montanhas, ilhas e quedas d’água. Outros lembram
figuras humanas ou de animais, ou são apreciadas por sua coloração,
padrões e texturas abstratas. Coletados na natureza em
montanhas e leitos de rio, e então exibidas em sua forma natural,
estas pedras são objetos de extrema beleza. São também
sofisticadas ferramentas para a reflexão interior estimulando a
quem as observa à apreciação do impressionante poder do
universo. Os Japoneses têm coletado suiseki por séculos, mas a
arte somente se tornou popular no oeste na última década,
especialmente entre bonsaístas.
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Padrões
estéticos clássicos
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Os
japoneses desenvolveram um sistema de classificação detalhada ajudando
aos coletores em campo a avaliar os tesouros encontrados. Esta classificação
auxilia o processo de visualização. Todo o suiseki precisa ter uma forma
reconhecida sugerindo montanhas, quedas d’água, desfiladeiros,
penhascos, etc. Formas humanas ou de animais são também valorizadas. Por
último, para os que não se enquadram em nenhuma classificação
reconhecida, existe uma categoria de formas abstratas chamada chusho-seki.
A forma é melhor identificada na silhueta da pedra.
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Textura
A
textura pode ser lisa ou áspera, mas precisa harmonizar com o
suiseki. As texturas criam lagos, glaciais e campos floridos.
O suiseki fortemente texturizado, ou hadame, é especialmente
apreciado. Quanto maior a variedade textural do suiseki, maior
valor estético possui. |

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Coloração
A
coloração auxilia na criação do poder sugestivo do suiseki.
Embora muitos coletores busquem a ilusória pedra negra ou Kuro,
na verdade elas não são tão comuns. A pesquisa para meu livro
demonstrou que 68,5% dos suiseki japoneses são em tons de cinza,
e apenas 18% são pretas. Colecionadores não devem se envergonhar
de coletar o que está disponível em seus países. Apesar de aqui
no norte da Califórnia sermos abençoados com uma abundância de
minerais em todas as cores, nem todos os países possuem tal opulência
geológica. |

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Não
obstante, eu acredito que os artistas do suiseki devem se orgulhar do que
conseguem encontrar em seu quintal, e não ficar na defensiva pelo fato de
suas pedras serem claras ou de consistência macia em termos de formação
mineral. Se a pedra se enquadra em algum critério – especialmente em
relação à forma – então o colecionador possui um suiseki em
potencial. Ao comprar um suiseki importado simplesmente por ser preto,
causamos um prejuízo à arte em nosso país.
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Pátina

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O
brilho de uma pedra desenvolve-se com o tempo. A natureza faz sua
parte, e então cabe ao seu dono manuseá-la frequentemente,
esfregando-a o mais possível. Quanto mais duro o mineral, mais fácil
será enfatizar sua pátina. Tenha em mente que suiseki de textura
áspera não possui pátina, e não devem ser forçados a
adquirir, ou terão uma aparência artificial. A pátina deve ser
equiparada ao brilho dos belos móveis antigos. Quanto mais duro o
mineral, melhor é a pátina. São recomendados minerais
classificados no mínimo como 5 na escala de dureza de Mohs.
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Harmonia
e equilíbrio
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Suiseki de
qualidade passam uma sensação de unidade óbvia ao olhar. Eles
devem produzir uma tensão visual, mas também um senso de
solidez, de firmeza. Um suiseki precisa encaixar firmemente em sua
daiza, sem parecer que irá tombar, ou ser colocados em uma daiza
muito grande para sua base. A coloração, textura, patina e forma
devem estar integradas em um maravilhoso estado de arte que
fascina o olhar. |

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Wabi
Sabi
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A incorporação de todas as atribuições discutidas acima é o conceito
Japonês de wabi-sabi.. O wabi-sabi pode ser melhor definido como a estética
religiosa e filosófica que ajuda a moldar a forma como experimentamos as
qualidades únicas do suiseki. O wabi-sabi, desenvolvido no século XVI
pela influência do Zen Budismo, evoluiu para um padrão de beleza que
enfatiza a imperfeição, o comum e o incompleto.
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No
wabi-sabi, o ambiente natural torna-se o meio através do qual a verdade
interior e a espiritualidade podem ser exploradas. A melancolia associada
a lugares distantes e solitários é um tipo de wabi-sabi.
Semelhantemente, o coletor no campo vê em detalhes banais e muitas vezes
despercebidos, um mundo de reminiscências. Valoriza as diferenças e
imperfeições que o fazem um objeto único, em conformidade com a
fundamental imprevisibilidade da natureza.
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Enfatiza
o universo orgânico (crescimento, decadência, erosão, etc.), formas
suaves e vagas, e a abrasão através do tempo. Busca expandir as informações
sensoriais, e suporta a ambigüidade e a contradição.
Wabi-sabi
no suseki enfatiza o yugen, ou a percepção repentina de algo misterioso
e estranho, atingindo um desconhecido que nunca será descoberto; shibui,
algo reservado, refinado, tranqüilo e cônscio, quando o momento desperta
uma tristeza nostálgica mais intensa, associada ao outono e ao mundo
evanescente.
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Eu
traduzi os conceitos de wabi-sabi dentro da estética suiseki que incluem
(mas não limitados a) o
seguinte: suiseki como o natural, mutável, dinâmico, singular sobre o
comum, suiseki como o pessoal, mundano, e o suiseki como o estado máximo
da simplicidade.
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Shibui,
em termos simples, significa a representação do objeto artístico (no
nosso caso), com simplicidade. Não há ostentação ou extravagância.
Por exemplo, o suiban não deve ter cores vivas. A daiza não deve ser
feita de madeiras chamativas, que desviem a atenção, como o carvalho que
possui veios evidentes. Da mesma forma, a madeira deve possuir acabamento
acetinado, não laqueado, e esculpida de forma profissional.
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Visite o Website
de Felix Rivera no endereço: www.felixrivera-suiseki.com
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Nota do editor
O
presente artigo tem como objetivo fornecer uma visão simplificada dos
conceitos que envolvem a arte suiseke em sua forma clássica. Devido à
complexidade de seus conceitos, tentaremos nas próximas edições
abranger de forma mais detalhada os aspéctos mais sutis desta
impressionante arte.
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